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Fritos ou mexidos?

Outubro 31, 2009

Quando vou almoçar na casa de alguém pela primeira vez, quase sempre há um transtorno quando digo que sou vegetariano.

Não comer carne para mim é uma coisa muito natural. Não precisa de “substituições”. Arroz, feijão e salada compõem um banquete para mim.

Mas as pessoas tentam agradar. Acham que está faltando alguma coisa. Acham que não estou satisfeito. E começam a oferecer tudo o que há na geladeira.

Em 99% dos casos, querem que eu coma ovos.

Ovos fritos

Acho que antigamente, quando o acesso à carne era mais difícil, em dias “sem carne”, havia ovos no lugar.

E haja ovo para cima de mim.

Eu recuso. Não gosto de ovo. Acho até fedido. Acham que estou sendo educado.

“Hoje você vai comer assim, mas da próxima vez vou fazer um omelete que você vai adorar! Ninguém faz omeletes melhor que eu!”

É o que mais escuto, enquanto rola um ovo frito para cima do meu prato.

Frustrante para o anfitrião, que pensa que não está agradando. Frustrante para mim, que tenho que mexer o ovo para lá e para cá no prato – e disfarçar na hora de manda-lo para o lixo.

O que vi no festival

Junho 23, 2009

Se alguém nem se sensibilizar com a morte da vaca por esgotamento em O Pantaneiro, não deveria ter perdido os pelos do corpo.

Macacos!

Janeiro 7, 2009

Tudo bem que a alface virou símbolo do vegetarianismo. Tudo bem ter muita gente que pensa que só como alface. Tudo bem pensarem que sou um x-man e acreditarem que vivo sem proteínas.

Agora, vir dando lição de moral dizendo que as alfaces também tem sentimentos é demais. Para começar, falta a noção de existência. Seus cérebros de alface!

***

De acordo com o Houaiss, alface é um substantivo feminino: erva da fam. das compostas, de folhas grandes, ger. obovadas e em rosetas, verde-claras ou violáceas sinuosas ou denteadas, de flores amarelas e aquênios com sementes pequeninas.

Portanto, a alface.

Do inferno ao céu

Novembro 11, 2008

Aqui em Goiânia tem uma loja bem bacana que vende “sucos e pratos leves”. Se chama Bapi (http://brasilagribusiness.com.br/bapi/) e, em matéria de sucos, não tem outro lugar melhor na cidade. Sobre os pratos, havia alguns vegetarianos.

Havia. Porque na última reformulação do cardápio, colocaram defuntos em tudo: desde tiras de filé mignon até frango desfiado. Nota zero.

Pois bem. Odeio política. Odeio discussões. Mas por ser um lugar que eu tinha até um certo prazer em ir, resolvi mandar um e-mail contando que em Goiânia — a capital sertaneja do Brasil — existem, sim, vegetarianos.

Para minha surpresa, obtive uma resposta no outro dia dizendo que, se eu quisesse, poderiam tirar os pedaços de animais de qualquer prato que eu escolhesse.

Aleguei que seria como ir no McDonalds e pedir um cheeseburguer sem carne. O que viria? Um pão com queijo seco e sem graça.

Eis então que, para minha maior surpresa, recebo o seguinte e-mail:

“Bom tarde Altair,

 
obrigado pelo email anterior.
 
Conversando com a diretoria da empresa e analisando suas opinões decidimos criar um prato vegetariano dentro da nossa linha de ingredientes. E para que este prato seja sucesso e atenda as necessidades do público vegetariano gostaria da sua participação nesta criação.
Gostaria que você observasse nosso cardápio e nos desse alguma sugestão de: salada / prato quente / crepe nesta linha vegetariana.
 
Atenciosamente,

– 
Múcio Rochael Filho
Gastronomia & Marketing
BAPI – TK – Haii “

Nota 10. Está ai um exemplo de empresa que se preocupa com todos os clientes, mesmo sendo minoria. Qualquer dia volto lá. E levo amigos.