Quando vou almoçar na casa de alguém pela primeira vez, quase sempre há um transtorno quando digo que sou vegetariano.
Não comer carne para mim é uma coisa muito natural. Não precisa de “substituições”. Arroz, feijão e salada compõem um banquete para mim.
Mas as pessoas tentam agradar. Acham que está faltando alguma coisa. Acham que não estou satisfeito. E começam a oferecer tudo o que há na geladeira.
Em 99% dos casos, querem que eu coma ovos.

Acho que antigamente, quando o acesso à carne era mais difícil, em dias “sem carne”, havia ovos no lugar.
E haja ovo para cima de mim.
Eu recuso. Não gosto de ovo. Acho até fedido. Acham que estou sendo educado.
“Hoje você vai comer assim, mas da próxima vez vou fazer um omelete que você vai adorar! Ninguém faz omeletes melhor que eu!”
É o que mais escuto, enquanto rola um ovo frito para cima do meu prato.
Frustrante para o anfitrião, que pensa que não está agradando. Frustrante para mim, que tenho que mexer o ovo para lá e para cá no prato – e disfarçar na hora de manda-lo para o lixo.





